segunda-feira, 1 de dezembro de 2014




O Capital Cultural na Escola


Pierre Bourdieu, sociólogo francês, propôs em seus estudos que cada pessoa adquire o capital cultural em primeiro lugar através do seu ambiente familiar. Cada aluno então ao entrar na escola traz seu “habitus”, que é um “sistema de disposições duráveis e transponíveis que, integrando experiências passadas funciona a cada momento como uma matriz de percepções, apreciações e ações” (BOURDIEU, 1985) e que no ambiente da sala de aula vários “habitus” se encontram.

A escola por sua vez é um ambiente neutro em que várias pessoas se encontram, tendo novas oportunidades para aqueles que não tiveram contato com o capital cultural e possam conhecer e desenvolver-se. Este pensamento também é apresentado por Pierre, mas tem sido objeto de várias discussões, pois é tratado como um paradoxo de seus estudos. Podemos então pensar, até que ponto a escola é um ambiente neutro?

Observamos ainda que em muitas escolas há uma certa tentativa de levar a cultura para todos com a promoção de eventos culturais para os alunos, mas não sabemos até que ponto isto tem chegado a influenciar um aluno a gostar de uma coisa ou outra no âmbito cultural.

Na sala de aula, através dos métodos de ensino e avaliações dos alunos surgem maiores diferenças culturais, devido a retribuição e destaque dado a certos alunos que possuem conhecimento do capital cultural que trouxeram de suas famílias, e os que não tem nenhum incentivo familiar continuam não sendo estimulados na escola, e isso se perpetua.

A escola se tornou um ambiente de reprodução do pensamento da classe dominante, pois a cultura é considerada uma forma de poder.

Ainda conforme Bourdieu o que acontece no ambiente escolar é que “o capital cultural leva os setores desprivilegiados a desistir e incentiva os privilegiados a progredir”. Então vemos que há uma certa acomodação quando o aluno chega na escola, pois a tendência é permanecer na mesma classe social que sua família já  o influenciou quanto ao capital cultural. Então devido ao “habitus” há uma dificuldade para este aluno em transitar de uma classe para outra, mas para Pierre a cultura poderia ser um influenciador da mobilidade social.

São muitos os estudos de Pierre quanto aos tipos de capitais existentes na sociedade, e vemos que eles influenciam-se entre si, como: capital cultural, capital econômico, capital social, capital simbólico, capital educacional. No geral, observamos que o poder e o pensamento da classe dominante em todos eles irão influenciar os resultados e os privilégios na sociedade e na educação.

Bibliografia

BOURDIEU, P. The social space and the genesis of groups. Theory and Society, v. 14, n.6, p. 723 – 775, nov. 1985.

SILVA, Gilda Olinto do Valle. Capital Cultural, Classe e Gênero em Bourdieu. INFORMARE – Cadernos do Programa de Pós-Graduação em Ciência da Informação, v1, n.2, p. 24-36, jul./dez. 1995.
(Lyane Moreira T. de Moraes, Aluna da Disciplina de Linguística Aplicada, Semestre 2014.2)

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