O Capital Cultural na Escola
Pierre Bourdieu,
sociólogo francês, propôs em seus estudos que cada pessoa adquire o capital cultural
em primeiro lugar através do seu ambiente familiar. Cada aluno então ao entrar
na escola traz seu “habitus”, que é um “sistema de disposições duráveis e
transponíveis que, integrando experiências passadas funciona a cada momento
como uma matriz de percepções, apreciações e ações” (BOURDIEU, 1985) e que no
ambiente da sala de aula vários “habitus” se encontram.
A escola por
sua vez é um ambiente neutro em que várias pessoas se encontram, tendo novas
oportunidades para aqueles que não tiveram contato com o capital cultural e
possam conhecer e desenvolver-se. Este pensamento também é apresentado por
Pierre, mas tem sido objeto de várias discussões, pois é tratado como um
paradoxo de seus estudos. Podemos então pensar, até que ponto a escola é um
ambiente neutro?
Observamos ainda
que em muitas escolas há uma certa tentativa de levar a cultura para todos com
a promoção de eventos culturais para os alunos, mas não sabemos até que ponto
isto tem chegado a influenciar um aluno a gostar de uma coisa ou outra no
âmbito cultural.
Na sala de
aula, através dos métodos de ensino e avaliações dos alunos surgem maiores
diferenças culturais, devido a retribuição e destaque dado a certos alunos que
possuem conhecimento do capital cultural que trouxeram de suas famílias, e os
que não tem nenhum incentivo familiar continuam não sendo estimulados na
escola, e isso se perpetua.
A escola se tornou um ambiente de reprodução do pensamento da classe dominante, pois a
cultura é considerada uma forma de poder.
Ainda conforme
Bourdieu o que acontece no ambiente escolar é que “o capital cultural leva os
setores desprivilegiados a desistir e incentiva os privilegiados a progredir”.
Então vemos que há uma certa acomodação quando o aluno chega na escola, pois a
tendência é permanecer na mesma classe social que sua família já o influenciou
quanto ao capital cultural. Então devido ao “habitus” há uma dificuldade para
este aluno em transitar de uma classe para outra, mas para Pierre a cultura
poderia ser um influenciador da mobilidade social.
São muitos os
estudos de Pierre quanto aos tipos de capitais existentes na sociedade, e vemos
que eles influenciam-se entre si, como: capital cultural, capital econômico,
capital social, capital simbólico, capital educacional. No geral, observamos que
o poder e o pensamento da classe dominante em todos eles irão influenciar os
resultados e os privilégios na sociedade e na educação.
Bibliografia
BOURDIEU, P. The social space and
the genesis of groups. Theory and Society,
v. 14, n.6, p. 723 – 775, nov. 1985.
SILVA, Gilda Olinto do Valle. Capital Cultural, Classe e Gênero em
Bourdieu. INFORMARE – Cadernos do Programa de Pós-Graduação em Ciência da
Informação, v1, n.2, p. 24-36, jul./dez. 1995.
(Lyane Moreira T. de Moraes, Aluna da Disciplina de Linguística Aplicada, Semestre 2014.2)

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