quarta-feira, 3 de dezembro de 2014
Metáfora da vida : O beija-flor
Nessas minhas idas e vindas da vida passei por alguns lugares que deixaram saudades. Belo Horizonte, Florianópolis, Porto Alegre,... Cada pedacinho do Brasil que ficou bem guardado em minhas melhores lembranças.
No ano de 2008 eu morava no Rio de Janeiro com minha família e apesar dos traços culturais que diferenciam a Cidade Maravilhosa das outras cidades pelas quais eu já havia passado, a adaptação foi perfeita. O mês de julho é caracterizado pelo inverno. Nada tão intenso como no sul, mas suficientemente frio para quem viveu muito tempo na região norte. Qualquer raio de Sol capaz de aquecer a pele, ainda que de maneira sutil, é muito bem-vindo nessa época do ano. E foi em uma dessas manhãs ensolaradas que algo me chamou a atenção...
Eu estava sentada no quintal de casa quando fui surpreendida pela presença de um animalzinho de comportamento, no mínimo, intrigante. Inquieto e muito apressado, o passarinho ficava pouco mais de cinco segundos “namorando” com uma flor. Subitamente passava para outra. E assim, nesse ritmo frenético, ele, em pouco tempo, examinou todas as flores, até que partiu, certamente em busca de novidades.
O curioso é que a árvore do quintal de casa era enorme. Eu não me atreveria a contar suas flores, em quantidade aparentemente infinita. E no meio de tantas delas, antes mesmo do beija-flor partir, apenas uma não se manteve no galho e despencou. Na agonia de terminar o seu trajeto e afoito para encontrar novos desafios, o passarinho sequer olhou para trás e logo foi-se embora. É certo que não tinha nenhuma noção do que havia ocorrido. Além disso, era só uma florzinha. De repente me flagrei pensando em pequenas coisas que, assim como essa, são metáforas da vida real.
Às vezes não nos damos conta de que as mesmas atitudes que temos naturalmente com milhares de pessoas, podem surtir um efeito particularmente diferente em alguém mais vulnerável e gerar ferimentos que talvez levem uma vida inteira até que se tornem simples cicatrizes.
Há sempre uma flor que cai...
Rosiane Valeska C. das Neves
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