quinta-feira, 4 de dezembro de 2014

Cultura Local

 Cultura Local
 Há poucos anos, a formação da cultura de um povo em determinado local geográfico era concebida pelas crenças, costumes e tradições locais, que refletiam diretamente no comportamento dessas pessoas no meio, criando assim uma identidade. No entanto, o fator globalização iniciou uma quebra de paradigmas em série que atingiu todos os níveis sociais, em todos os lugares do mundo, com exceção de algumas comunidades não civilizadas. A velocidade da informação, a possibilidade de se acompanhar em tempo real o que acontece em outros lugares e/ou contextos geográficos, o acesso a outras culturas, crenças e costumes e outros fatores decorrentes, deram início a novos paradigmas. Esses novos paradigmas causaram e causam enorme desconforto em decorrência da rapidez com que eles acontecem, tornando-se quase impossíveis de serem acompanhadas, principalmente por pessoas sem acesso a informatização. Os costumes, as culturas e até mesmo as crenças, muitas vezes se transformam em modismos quase sempre estereotipados que atingem diferentes lugares, esse processo é conhecido como transculturalidade, ou seja, o ato de migração e imigração de culturas entre povos.
  Dito isso, remeto-me a formação da cultura local em Boa Vista-RR. No início da década de 1990 a população de Roraima era de 217.583 mil habitantes (IBGE 2010), esse número representa menos de 50% do número atual, formado em sua maioria, de Nordestinos, pessoas habituadas ao campo, ou em pequenas cidades, os traços nordestinos são muito fortes no comportamento da maioria das pessoas que vivem em Roraima. Eles cresceram com o Estado, e atualmente são empresários, funcionários públicos, grandes agricultores e até políticos. No entanto, fazem parte de uma geração que sofreu as mudanças, que acompanhou de perto o desenvolvimento, que ascenderam com status ou posições sociais, ou seja, tiveram que se adaptar em um nova sociedade, mais a essência pessoal, a cultura “enraizada” e outros fatores não mudam tão rapidamente, e isso às vezes gera certo desconforto , é fácil lembrar que há poucos anos, marido e mulher tinham apenas um rádio com uma frequência para ouvir no fim da tarde depois de um dia de trabalho, e isso de certa forma ajudava no relacionamento, atualmente temos a TV com vários canais, e agora o marido quer ver futebol e a esposa novela, o uso do celular distancia amigos, mesmo estando próximos. Relativamente, nem todos tiveram acesso ao cinema, ao teatro, a exposições de arte ou até mesmo a educação e portanto, com pouca habilidade sobre construção de conhecimento erudito.

Alguma dessas pessoas ainda veem as grandes cidades como algo fora do comum, fora de sua realidade e acabam por fim desprezando a cultura local, o artista local, os poucos monumentos  e a história que faz parte de todos mais que quase sempre é rejeitada e envergonhada, sob uma perspectiva superior, no entanto alheia, não condizente com sua realidade. Considerando toda formação deste estado e sob o ponto de vista de que a cultura de Roraima é resultado desta construção, então esse cultura é diferente, como todas, e não inferior.

Oziel Fernandes

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