LINGUÍSTICA APLICADA: UMA NOVA PERSPECTIVA SOBRE LINGUA(GEM)
Por: Lidiane Silva de Oliveira
É inegável que a Linguística Aplicada (LA)
surgiu como uma necessidade de investigação da linguagem em processo e mesmo
que a princípio tenha se direcionado mais para a área do Ensino de Língua Estrangeira
(ELE), hoje possui novos campos de estudo e interesses que foram ampliados
pelos feitos inovadores, tanto em relação às “lacunas” deixadas pela
Linguística, como por investigar questões de uso de linguagem sobre uma
perspectiva diferenciada.
Cavalcanti (1986) sugere um percurso para a
trajetória das pesquisas em LA começando pela identificação de questões de uso da linguagem, seguidos de uma busca por subsídios teóricos em áreas de
investigação relevantes, depois uma análise
da questão na prática, terminando com sugestões
de encaminhamento para o fenômeno estudado (p. 6).
Essa “ciência” faz uma
análise do que é falado por um grupo em um contexto específico através da
integração de elementos entendidos pelos linguistas aplicados como estando a
margem do campo de estudos linguísticos. Há uma relação natural entre LA e
outras ciências que não sejam necessariamente próximas desta. Há a construção
de um “relacionamento” positivo com outras linhas de pesquisa com o objetivo de
esclarecer ou auxiliar algum evento pertinente à linguagem em uso.
Por isso ao se trabalhar na
área da LA a ideia de abordagem interdisciplinar deve ser sempre um ponto de
apoio para se chegar aos objetivos da pesquisa. A Linguística, a Psicologia, a
Antropologia, a Sociologia, a Didática dentre outras ciências, são alguns
exemplos de áreas científicas que colaboram na formação de trabalhos e projetos
dentro da LA.
Moita Lopes (2006) em seu
livro “Por uma Linguística Aplicada
Indisciplinar” afirma que a reflexão contínua sobre se mesma é um
diferencial relevante da LA em relação a outras ciências. Essa atitude evita
que verdadeiras paredes sejam formadas entre a LA e seus contextos de análise e
investigação já que há certa flexibilidade dos resultados, tornando-os
restritos às situações específicas.
Como já foi dito, a LA esteve
em princípio focada no trabalho com línguas estrangeiras, mas hoje está subdividida
em quatro subáreas ou linhas de pesquisa: Ensino de Língua Estrangeira (ELE),
Ensino de Língua Materna (ELM), Educação Bilíngue (EB) e Tradução. Além destas,
existem teóricos que incluem outras modalidades de pesquisa como a Lexicografia, as Relações sociais mediadas pela linguagem e a Legendagem e interpretação. Estas
últimas são vistas nas universidades como derivadas das quatro já mencionadas.
O ELM é um dos campos com
menos produções e pesquisas em LA, porém há uma ampla possibilidade de
fenômenos que podem ser investigados tanto em sala de aula na disciplina de
Língua Portuguesa como em ambientes comunicativos diferentes (empresas,
comunidades isoladas, grupos étnicos, especificidades do uso da língua em
regiões distintas...). Outros tópicos, que foram vistos pela perspectiva da
Linguística, podem ser também analisados agora pela visão da LA.
A questão das variações
linguísticas e do letramento são assuntos potencialmente importantes para a
produção de pesquisas em LM. Para corroborar a afirmação feita anteriormente de
que o ELM possui poucos estudos em LA, Bortoni (1995) diz o seguinte sobre a
aquisição da variante padrão:
A
aquisição da língua padrão por meio da exposição a modelos dessa variedade em
sala de aula é um tema que ainda não recebeu suficiente atenção apesar da
grande ênfase que a pesquisa da sociolinguística tem dedicado as consequências
educacionais da variação linguística.(BORTONI, 1995, p.119)
Há muito
ainda o que ser discutido e refletido sobre pesquisas em LA envolvendo
variedades linguísticas nas instituições de ensino através das relações que são
estabelecidas entre os indivíduos que frequentam a escola. Todos juntos inserem neste contexto suas experiências
prévias de uso da língua, o que torna a escola um laboratório constante para
pesquisas em ELM.