LA E O PROCESSO DE INVESTIGAÇÃO
Lidiane Silva de Oliveira
Uma ciência qualquer em processo de maturação
tende a passar por estágios e conflitos que objetivam instituir uma base
teórica a ela, seguida, muitas vezes, do reconhecimento acadêmico. A
Linguística Aplicada (LA) percorreu há alguns anos o estágio de desvinculação e
“independência” conceitual da Linguística e hoje procura firmar-se através de
pesquisas e estudos do uso da linguagem. É uma ciência que possui uma atitude
multidisciplinar sem comprometer sua identidade.
Cavalcanti (1986), afirma que a construção
teórica multidisciplinar em LA consolida sua área de atuação e seus métodos
específicos de trabalho. Dentro da trajetória metodológica da pesquisa em LA a
busca de subsídios teóricos chega a ser uma consequência lógica para as
ciências em que o objeto de estudo requer informações contextualizadas. É até
incoerente se pensar em investigações de fenômenos do uso da linguagem e
descartar variáveis como o ambiente social (Sociologia), cultural (História,
Antropologia...), linguístico (Linguística), psicológico (Psicologia) entre
outros, dos envolvidos na pesquisa. Daí a importância de não desenvolver um
projeto apenas de base quantitativa que omitiria detalhes importantíssimos para
uma análise mais profunda do evento em estudo. O processo de investigação
requer por parte do pesquisador sensibilidade.
Moita Lopes (1999), defende uma pesquisa de
base etnográfica voltada para a relação da interação linguística e do contexto
social e como esses fenômenos refletem a realidade do uso da linguagem. Assim,
quando um pesquisador observa e registra informações colhidas no decorrer da
pesquisa, associando esses elementos aos dados quantitativos, ele poderá
compreender melhor seus resultados e propor (se necessário) sugestões de encaminhamento mais
cabíveis à situação estudada.
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