sábado, 15 de novembro de 2014

CONHECENDO A LINGUÍSTICA APLICADA (CARINA ALFAIA)


A Linguística Aplicada surgiu entre as décadas de 40 e 50 e seus primeiros estudos foram divulgados na década de 60. No exercício, alguns linguistas sentiram-se limitados ao estudo restrito da língua. Dessa forma, surgiu a necessidade de se observar a linguagem e o contexto do qual cada sujeito está inserido e também suas manifestações, nascendo assim a LA como uma ciência que trabalha de forma multidisciplinar que dá voz ao sujeito da pesquisa apontando para o retorno social.
Por ser uma ciência nova, a Linguística Aplicada ainda é vista de forma errônea como uma subárea da linguística e hoje é assim classificada pelo Conselho Nacional de Desenvolvimento Cientifica e Tecnológico (CNPq).
Segundo Rajagopalan (2006), a Linguística Aplicada estuda a linguagem em suas situações de efetivo de uso da linguagem. Para o autor, não podemos analisar a língua fora de sua situação real de uso, no qual está sendo empregada.
Para Farias (2013),

Podemos perceber que apesar de haver uma estreita ligação entre as lingüísticas teórica e aplicada elas se diferem pelas diferentes perspectivas de analise desse objeto. Essa ultima considerando o seu contexto na qual está sendo empregada. (p.36).  


Nas concepções do autor citado acima, a linguística teórica não se preocupa com questões sociais, ao passo que, a Lingüística Aplicada vê o social como questão fundamental para entendermos o funcionamento da linguagem. A linguagem é um fenômeno extremamente complexo que não pode ser apartado do meio social em que é aplicada.
A respeito do termo “Aplicada”, Cavalcanti (1986) elucida que o termo não se faz referência a ideias de emprego de teorias linguísticas e sim a noção de que a linguagem estudada é a que está em uso em uma determinada sociedade, colocada na prática social.
Nesse sentido, Linguística Aplicada trabalha com a relação entre teoria e prática. A LA parte de uma situação real de uso de linguagem, procura teorias em outras áreas do conhecimento e retorna à prática. Para Moita Lopes (2006, p.119): “a pratica informa a teoria, e a teoria informa a prática”. A LA não procura resolver problemas ou solucioná-los, mas sim problematizá-los apontando para o retorno social.
Além disso, LA trabalha com a construção de identidade e com representações sociais. Para a LA a linguagem é um dos fenômenos mais apontados como característica de identidade.
O autor ainda debate a LA por uma visão transdisciplinar que transita em outras áreas do conhecimento humano. Mantendo, assim, sua forte característica multidisciplinar, se aproximando e dando voz aos sujeitos de pesquisa.
Para Rajagopalan (2006), a Linguística Aplicada tem em vista questionamentos relativos aos usos da linguagem. Seus trabalhos estão cada vez mais próximos das realidades dos indivíduos, dando voz à minoria que, na verdade, é maioria.
Na teoria estudada de Cavalcante (1986), a LA tem uma metodologia diferenciada justamente por ser multidisciplinar, pois busca subsídios em outras distintas áreas do conhecimento para conservar a sua característica transdisciplinar. Na perspectiva transdisciplinar, os campos transitados estarão pautados a cada assunto investigado e são determinados e orientados a partir dos fatos observados.
Por fim, entre as áreas de atuação da Linguística Aplicada, podemos citar o ensino em Língua Estrangeira e em Língua Materna, a formação do docente, além do estudo do bilinguismo e tradução.

REFERENCIAS


CAVALCANTI, Marilda C. A Propósito de Linguística Aplicada .Trabalhos em Linguística Aplicada, (Unicamp) N: 7 1986.

CÉSAR, América L. CAVALCANTE, Marilda C. Transculturalidade e Transglossia: Para Compreender O Fenômeno Das Fricções Linguístico-Culturais Em Sociedades Contemporâneas Sem Nostalgia. In: Marilda C. Cavalcante, Stella Maris Bortoni Ricardo, (orgs.) Transculturalidade, linguagem e educação. Campinas, SP: Mercado de Letras, 2007.  

FARIAS, Duí Barbosa Lima. A Linguística Aplicada E Suas Contribuições Para Uma Sociedade Mais Justa. In: FREITAS, Déborah de B.A.P. (org.). Algumas questões de linguagem em ensino, pesquisa e extensão. Boa Vista: Editora da UFRR, 2013.

MOITA LOPES, L. P .Oficina de Linguística Aplicada. São Paulo: Mercado das letras, 1996.

RAJAGOPALAN, K. Repensar o papel da Linguística Aplicada. In: MOITA LOPES, L. P. (org.). Por uma Linguística Aplicada INdisciplinar. São Paulo: Parábola Editorial, 2006.
 


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