A
Linguística Aplicada surgiu entre as décadas de 40 e 50 e seus primeiros
estudos foram divulgados na década de 60. No exercício, alguns linguistas sentiram-se limitados ao estudo restrito da língua. Dessa forma, surgiu a
necessidade de se observar a linguagem e o contexto do qual cada sujeito está
inserido e também suas manifestações, nascendo assim a LA como uma ciência que
trabalha de forma multidisciplinar que dá voz ao sujeito da pesquisa apontando
para o retorno social.
Por
ser uma ciência nova, a Linguística Aplicada ainda é vista de forma errônea como
uma subárea da linguística e hoje é assim classificada pelo Conselho Nacional
de Desenvolvimento Cientifica e Tecnológico (CNPq).
Segundo
Rajagopalan (2006), a Linguística Aplicada estuda a linguagem em suas situações
de efetivo de uso da linguagem. Para o autor, não podemos analisar a língua fora
de sua situação real de uso, no qual está sendo empregada.
Para
Farias (2013),
Podemos perceber que
apesar de haver uma estreita ligação entre as lingüísticas teórica e aplicada
elas se diferem pelas diferentes perspectivas de analise desse objeto. Essa
ultima considerando o seu contexto na qual está sendo empregada. (p.36).
Nas
concepções do autor citado acima, a linguística teórica não se preocupa com
questões sociais, ao passo que, a Lingüística Aplicada vê o social como questão
fundamental para entendermos o funcionamento da linguagem. A linguagem é um
fenômeno extremamente complexo que não pode ser apartado do meio social em que
é aplicada.
A
respeito do termo “Aplicada”, Cavalcanti (1986) elucida que o termo não se faz
referência a ideias de emprego de teorias linguísticas e sim a noção de que a
linguagem estudada é a que está em uso em uma determinada sociedade, colocada na
prática social.
Nesse
sentido, Linguística Aplicada trabalha com a relação entre teoria e prática. A
LA parte de uma situação real de uso de linguagem, procura teorias em outras
áreas do conhecimento e retorna à prática. Para Moita Lopes (2006, p.119): “a
pratica informa a teoria, e a teoria informa a prática”. A LA não procura
resolver problemas ou solucioná-los, mas sim problematizá-los apontando para o
retorno social.
Além
disso, LA trabalha com a construção de identidade e com representações sociais.
Para a LA a linguagem é um dos fenômenos mais apontados como característica de
identidade.
O
autor ainda debate a LA por uma visão transdisciplinar que transita em outras
áreas do conhecimento humano. Mantendo, assim, sua forte característica multidisciplinar,
se aproximando e dando voz aos sujeitos de pesquisa.
Para
Rajagopalan (2006), a Linguística Aplicada tem em vista questionamentos
relativos aos usos da linguagem. Seus trabalhos estão cada vez mais próximos
das realidades dos indivíduos, dando voz à minoria que, na verdade, é maioria.
Na
teoria estudada de Cavalcante (1986), a LA tem uma metodologia diferenciada
justamente por ser multidisciplinar, pois busca subsídios em outras distintas
áreas do conhecimento para conservar a sua característica transdisciplinar. Na
perspectiva transdisciplinar, os campos transitados estarão pautados a cada assunto
investigado e são determinados e orientados a partir dos fatos observados.
Por
fim, entre as áreas de atuação da Linguística Aplicada, podemos citar o ensino
em Língua Estrangeira e em Língua Materna, a formação do docente, além do
estudo do bilinguismo e tradução.
REFERENCIAS
CAVALCANTI, Marilda C.
A Propósito de Linguística Aplicada .Trabalhos em Linguística Aplicada,
(Unicamp) N: 7 1986.
CÉSAR,
América L. CAVALCANTE, Marilda C.
Transculturalidade e Transglossia: Para Compreender O Fenômeno Das Fricções
Linguístico-Culturais Em Sociedades Contemporâneas Sem Nostalgia. In: Marilda
C. Cavalcante, Stella Maris Bortoni Ricardo, (orgs.) Transculturalidade, linguagem e educação. Campinas, SP: Mercado de
Letras, 2007.
FARIAS, Duí Barbosa Lima. A Linguística Aplicada E
Suas Contribuições Para Uma Sociedade Mais Justa. In: FREITAS, Déborah de B.A.P. (org.). Algumas
questões de linguagem em ensino, pesquisa e extensão. Boa Vista: Editora da UFRR, 2013.
MOITA
LOPES, L. P .Oficina de Linguística
Aplicada. São Paulo: Mercado das letras, 1996.
RAJAGOPALAN,
K. Repensar o papel da Linguística Aplicada. In: MOITA LOPES, L. P. (org.). Por
uma Linguística Aplicada INdisciplinar. São Paulo: Parábola Editorial,
2006.
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