terça-feira, 14 de janeiro de 2014


BILINGUISMO NA EDUCAÇÃO BRASILEIRA

DINACI SILVA SOUSA

Se observarmos a história do português brasileiro, saberemos que,  nossa língua já havia uma heterogeneidade na sua base, pois desde o  princípio houve uma miscigenação com índios brasileiros e com a chagada dos europeus trazendo uma nova língua. De acordo com Castilho, (2012, p.177)  “À chegada dos portugueses, entre 1 e 6 milhões de indígenas povoavam o território, falando cerca de 300 línguas diferentes, de que sobreviveram hoje cerca de 160”. E não só os  indígena tinham essa variedade de línguas, mas também os europeus que chegavam traziam diferentes formas linguísticas e se agregavam pelo país inteiro multiplicando assim essa gama de variedades linguísticas.
O que observamos hoje é que com a sociedade globalizada e moderna,  com os países dependendo politicamente e financeiramente uns dos outros, a língua também entra nesse jogo e cada dia mais multiplica-se essa diversidade linguística na fala dos brasileiros. E digamos até que por necessidade as escolas brasileiras todas são obrigadas a terem em seu conteúdo programático aulas de línguas estrangeiras.
Mas o que queremos aqui é fazer referência ao bilinguismo, que não se prende apenas ao estudo de línguas estrangeiras, mas também as várias  línguas existentes dentro do próprio Brasil. E essas línguas muitas vezes são ignoradas por todos. Dentro dessas especialidades linguísticas estão os surdos, indígenas e imigrantes, e se observamos só a língua indígena já tem um campo de estudo bastante grande para ser explorado, pois não se trata de uma espécie única de língua indígena, mas há no Brasil uma grande variedade dessa língua chamada indígena. E observamos nesse tema que ainda precisa muito para que essas pessoas que não comungam da mesma língua portuguesa tenham uma atenção além para que seus direitos de comunicação sejam válidos.
De acordo com Maher, (2007) essas línguas são chamadas de minoritárias e por tanto estão sempre ás margens do estudo nas escolas.  Ela afirma ainda que esses alunos de língua minoritária são automaticamente forçados a aprender o português, e não há preocupação de políticas pedagógicas que fazem com que á maioria entre em uma área do bilinguismo. Esse descaso é referido principalmente com línguas indígenas e línguas de sinais do próprio país, pois, quando se referem a língua inglesa ou espanhol por exemplo que são as mais estudadas nas escolas a aceitação é totalmente normal e apoiada como estudo obrigatório no currículo escolar Brasileiro.
Com essa visão de acontecimentos sobre línguas o que podemos observar é que o grupo minoritário acaba por evadir-se das escolas por lhes faltar um acompanhamento e quem comunique-se com eles de forma que sua língua ganhe espaço dentro  do um contexto escolar. Enquanto isso o espaço do estrangeirismo aumenta cada vez mais e sobre isso Maher (2007 p. 69) comenta que:
Quando o que está em jogo são línguas de prestígio, o bilinguismo é sempre visto como positivamente. O bilinguismo português – inglês por  exemplo, é altamente incentivado no Brasil, haja visto o número impressionante de escolas dessa língua no país. Quando, no entanto, uma das línguas envolvidas é avaliada como sendo não-prestigiosa, como é o caso, por exemplo, das línguas indígenas ou LIBRAS, o bilinguismo é quase sempre visto como um “problema” a ser erradicado.  
Com relação a essas formas de bilinguismo podemos notar certa discriminação com relação aos das línguas minoritárias, e em alguns momentos não são identificados nem como bilinguismo, e sim como um problema que pode prejudicar no avanço da educação do indivíduo. Dentro dessa concepção Maher, faz menção de alguns modelos e que segundo ela teoricamente visam o ensino eficiente, mas contudo, cheios de falhas que acaba tendo os mesmos resultados que é ensinar  a língua majoritária, no caso aqui o português. Esses modelos são os seguintes:
“Assimilacionista de submersão
Assimilacionista de transição
Enriquecimento linguístico”  Maher, (2007. PP 70 -71)
No modelo de submersão observamos que está sendo bastante executado nas escolas, pois trata-se justamente da propaganda da inclusão do aluno dentro da sala de aula, porém o que acontece realmente não é inclusão, pois os alunos da língua majoritária não tem como interagir com esses por que não receberam instrução apropriada para a situação.
No caso do modelo de transição podemos observar que ainda exista uma camuflagem nos primeiros anos da vida escolar do aluno, onde as aulas são ministradas na metodologia da língua materna, mas assim que o aluno tem certo  domínio de sua língua materna,  lhes é apresentado o português e então de agora em diante todo o conteúdo é feito nessa língua causando por tanto, a exclusão da língua materna.
O modelo de enriquecimento como o nome já diz é o que mais aproxima do que se espera da inclusão e dos ensinos onde há bilinguismo, ou seja, nesse modelo o que é comentado por Maher é que é o momento de somar a língua portuguesa ao repertório do aluno bilíngue de forma que a língua portuguesa faça parte sem o abandono da língua materna.
Na verdade o que observamos cada dia com estudos e com vivencias é que não existe uma língua totalmente pura, livres de influência e transformações com o passar do tempo. E é essa justamente a dinâmica da língua ela não é presa a conceitos e culturas, mas se transforma, modifica, cresce. E por ser dessa forma é um estudo que não se esgota, mas continuará sempre causando questões para investigações a seu respeito.



REFERÊNCIAS
Castilho, Ataliba T. de. Nova Gramática do Português Brasileiro. 1ª Ed. São Paulo. Contexto, 2012.

Maher, T. M. Do casulo ao Movimento: A suspensão das certezas na educação bilíngue e intercultural . Mercado de letras, São Paulo,  2007.

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